terça-feira, janeiro 27, 2004

Resposta a uma carta publicada na Maria

Toda a gente sabe que eu sou uma pessoa de classe. Que estou perfeitamente integrada neste mundo moderno, no bulício citadino, que estou perfeitamente entrosada nesta sociedade fútil de início de século e que daqui a 20 anos vou ser daquelas mulheres de sucesso que têm a Vogue na carteira e os índices da Bolsa na mão. Ou então, não.

Se calhar, gosto de ler a Maria.

Por acaso gosto mesmo. Não que isto diga alguma coisa sobre mim. Quando muito, diz que sou uma pessoa que conhece pessoas que compram a Maria (ainda pior que ler a Maria é comprar a Maria. e ainda pior que isso é comprar a Maria para ler. e ainda pior que tudo isso é conhecer quem compre e leia a Maria. não faz lá muito bem ao nosso desenvolvimento psico-social.) (Eu não escrevo aqui porque GOSTE. É mesmo porque tenho muito tempo livre. Acham que isso se deve ao facto de ser extremamente social?)

Mas enfim, estávamos na Maria. Naquela secção que toda a gente conhece, a das perguntas. Ora numa das minhas últimas incursões a esta obra de leitura obrigatória semanal, descobri uma questão que, pela sua premência, me obriga a dar a resposta que acho adequada, sobrepondo-me a essa instituição do saber de experiência feito que a Maria representa. Os meus sentimentos.

(A pergunta que se segue é verdadeira. Só o nome do seu autor foi modificado porque se já fixar a pergunta foi difícil, quanto mais o nome do homem...)

"Quando faço amor com a minha esposa, ela só atinge o orgasmo se estiver a ouvir Scorpions. O problema é que eu odeio os Scorpions."
Hermegenildo Tractor, Soure

Caro Senhor Hermegenildo,

Antes de mais, tenho de o informar que o seu nível de rotidão precisa de uma escala própria. Um gajo que precisa de pôr a mulher a ouvir música merecia ser insultado. Como eu não estou habilitada a insultar este tipo de gente, abstenho-me de comentários, repetindo apenas que isso é coisa de panão.
A segunda questão que aqui se põe é: como é que alguém consegue casar e, ainda pior, ir para a cama com uma gaja que só lá chega com Scorpions? Com um grupo que tem músicas como "Love at the first sting" ou "Wind of change"? Com um vocalista chamado Klaus Maine e um baixista chamado Francis Buchnolz?
Acho que a única solução para o seu caso e da sua senhora é, em vez de ouvirem Scorpions passarem para o Coro de Santo Amaro de Oeiras. A qualidade musical é similar e com este CSAO sempre se aprende qualquer coisa. Eu, por exemplo, aprendi que "Há Deus-Pai, à direita é o Filho, à esquerda é o Espíito Santo e atrás 'tá Joshua, a cobrir a retaguarda". E este tipo de informação é sempre importante.
Os meus cumprimentos,

Maria Cachucha

Se por caso em Soure houver Internet, sei que o Senhor Hermegenildo me vai agradecer.

Sou quem sabeis, Maria Cachucha
Meu Joshua...