Ai que é Natal...
É Natal, como julgo ser de conhecimento geral.
Acho esta época do ano particularmente interessante, não porque goste muito de dar prendas ou de comer bacalhau, mas porque se sente no ar, a partir de inÃÃcios de Dezembro, uma alegria colectiva que me deixa feliz. (Observe-se o altruÃÂsmo... Fico feliz porque os outros estão felizes... Meu Deus... Belo...)
Esta minha alegria natalÃcia foi ontem de tarde profanada por uns comunistas/anarquistas anormais que se passeavam na Baixa. Estava eu, em plena adulação da alegria das pessoas, a subir Santa Catarina, quando um estrunfe qualquer de boina verde me dá um papel para a mão.
Primeiro, pensei que fosse o número de telefone dele (o Natal traz ao de cima as carências emocionais de certas pessoas). Depois, pensei que estivesse a dar guardanapos de prenda de Natal a toda a gente (é útil e é barato, era uma boa ideia). Depois de mais dois ou três pensamentos deste género, decidi ler o papel.
Tenho pena de não ter guardado aquela BÃblia da Parvoeira, mas deu-me tal acesso de raiva que decidi enrolar aquilo numa pedra e atirar à  cabeça do rapaz que me tinha dado aquilo (este meu acto violento não foi testemunhado, já que a Baixa estava cheia de gente, e ninguém viu quem tinha sido, por isso, saà incólume). Posso, no entanto, aventar que, por baixo de um desenhinho estúpido a preto e branco, ao qual nem dei a (in)devida atenção, pousavam as seguintes (não sei se eram estas, mas eram parecidas) palavras: "O Natal é uma hipocrisia! Abaixo o Capitalismo! Outra estupidez do género!".
Ora, eu não vou estar aqui a discutir até que ponto é que o Natal é uma época consumista e de apologia ao capitalismo, etc, etc, mas CARAÇAS, se as pessoas estão, em pleno dia 23 de Dezembro, a fazer as compras de Natal, contentes da vida com a perspectiva de irem dar um par de meias com válvulas aquecedoras à  D. Miquinhas do fim da rua, até que ponto estarão interessados em ter gajos de 20 anos, com gorros verdes na cabeça, a dizer que as meias deles são hipócritas?
Eu não vou oferecer meias, mas julgo poder dar uma resposta esclarecedora a esta questão: nem que o ponto fosse o último ponto final de um discurso do Fidel Castro, ou o ponto que, nos cheques, separa os milhões das centenas de milhar, seria minimamente interessante aos olhos de alguém que está no dia 23 de Dezembro a fazer compras.
(Já agora, vá-se lá saber porquê, mas parece-me que estes rebeldes devem estar a estas horas a fazer aletria ou a descascar batatas ou - BELO! - a embrulhar presentes. Não sei, é um sentimento que tenho cá dentro... Vá lá a gente compreender este Mundo...)
Bom Natal!
Sou quem sabeis, Maria Cachucha
Acho esta época do ano particularmente interessante, não porque goste muito de dar prendas ou de comer bacalhau, mas porque se sente no ar, a partir de inÃÃcios de Dezembro, uma alegria colectiva que me deixa feliz. (Observe-se o altruÃÂsmo... Fico feliz porque os outros estão felizes... Meu Deus... Belo...)
Esta minha alegria natalÃcia foi ontem de tarde profanada por uns comunistas/anarquistas anormais que se passeavam na Baixa. Estava eu, em plena adulação da alegria das pessoas, a subir Santa Catarina, quando um estrunfe qualquer de boina verde me dá um papel para a mão.
Primeiro, pensei que fosse o número de telefone dele (o Natal traz ao de cima as carências emocionais de certas pessoas). Depois, pensei que estivesse a dar guardanapos de prenda de Natal a toda a gente (é útil e é barato, era uma boa ideia). Depois de mais dois ou três pensamentos deste género, decidi ler o papel.
Tenho pena de não ter guardado aquela BÃblia da Parvoeira, mas deu-me tal acesso de raiva que decidi enrolar aquilo numa pedra e atirar à  cabeça do rapaz que me tinha dado aquilo (este meu acto violento não foi testemunhado, já que a Baixa estava cheia de gente, e ninguém viu quem tinha sido, por isso, saà incólume). Posso, no entanto, aventar que, por baixo de um desenhinho estúpido a preto e branco, ao qual nem dei a (in)devida atenção, pousavam as seguintes (não sei se eram estas, mas eram parecidas) palavras: "O Natal é uma hipocrisia! Abaixo o Capitalismo! Outra estupidez do género!".
Ora, eu não vou estar aqui a discutir até que ponto é que o Natal é uma época consumista e de apologia ao capitalismo, etc, etc, mas CARAÇAS, se as pessoas estão, em pleno dia 23 de Dezembro, a fazer as compras de Natal, contentes da vida com a perspectiva de irem dar um par de meias com válvulas aquecedoras à  D. Miquinhas do fim da rua, até que ponto estarão interessados em ter gajos de 20 anos, com gorros verdes na cabeça, a dizer que as meias deles são hipócritas?
Eu não vou oferecer meias, mas julgo poder dar uma resposta esclarecedora a esta questão: nem que o ponto fosse o último ponto final de um discurso do Fidel Castro, ou o ponto que, nos cheques, separa os milhões das centenas de milhar, seria minimamente interessante aos olhos de alguém que está no dia 23 de Dezembro a fazer compras.
(Já agora, vá-se lá saber porquê, mas parece-me que estes rebeldes devem estar a estas horas a fazer aletria ou a descascar batatas ou - BELO! - a embrulhar presentes. Não sei, é um sentimento que tenho cá dentro... Vá lá a gente compreender este Mundo...)
Bom Natal!
Sou quem sabeis, Maria Cachucha

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