quarta-feira, dezembro 24, 2003

Ai que é Natal...

É Natal, como julgo ser de conhecimento geral.

Acho esta época do ano particularmente interessante, não porque goste muito de dar prendas ou de comer bacalhau, mas porque se sente no ar, a partir de inÃícios de Dezembro, uma alegria colectiva que me deixa feliz. (Observe-se o altruí­smo... Fico feliz porque os outros estão felizes... Meu Deus... Belo...)

Esta minha alegria natalícia foi ontem de tarde profanada por uns comunistas/anarquistas anormais que se passeavam na Baixa. Estava eu, em plena adulação da alegria das pessoas, a subir Santa Catarina, quando um estrunfe qualquer de boina verde me dá um papel para a mão.

Primeiro, pensei que fosse o número de telefone dele (o Natal traz ao de cima as carências emocionais de certas pessoas). Depois, pensei que estivesse a dar guardanapos de prenda de Natal a toda a gente (é útil e é barato, era uma boa ideia). Depois de mais dois ou três pensamentos deste género, decidi ler o papel.

Tenho pena de não ter guardado aquela Bíblia da Parvoeira, mas deu-me tal acesso de raiva que decidi enrolar aquilo numa pedra e atirar à  cabeça do rapaz que me tinha dado aquilo (este meu acto violento não foi testemunhado, já que a Baixa estava cheia de gente, e ninguém viu quem tinha sido, por isso, saí incólume). Posso, no entanto, aventar que, por baixo de um desenhinho estúpido a preto e branco, ao qual nem dei a (in)devida atenção, pousavam as seguintes (não sei se eram estas, mas eram parecidas) palavras: "O Natal é uma hipocrisia! Abaixo o Capitalismo! Outra estupidez do género!".

Ora, eu não vou estar aqui a discutir até que ponto é que o Natal é uma época consumista e de apologia ao capitalismo, etc, etc, mas CARAÇAS, se as pessoas estão, em pleno dia 23 de Dezembro, a fazer as compras de Natal, contentes da vida com a perspectiva de irem dar um par de meias com válvulas aquecedoras à  D. Miquinhas do fim da rua, até que ponto estarão interessados em ter gajos de 20 anos, com gorros verdes na cabeça, a dizer que as meias deles são hipócritas?

Eu não vou oferecer meias, mas julgo poder dar uma resposta esclarecedora a esta questão: nem que o ponto fosse o último ponto final de um discurso do Fidel Castro, ou o ponto que, nos cheques, separa os milhões das centenas de milhar, seria minimamente interessante aos olhos de alguém que está no dia 23 de Dezembro a fazer compras.

(Já agora, vá-se lá saber porquê, mas parece-me que estes rebeldes devem estar a estas horas a fazer aletria ou a descascar batatas ou - BELO! - a embrulhar presentes. Não sei, é um sentimento que tenho cá dentro... Vá lá a gente compreender este Mundo...)

Bom Natal!

Sou quem sabeis, Maria Cachucha