Festas de Reggae - O que diz a leiga
Tive ontem a peregrina ideia de me dirigir a uma festa de reggae. Reggae, ragga, seja lá o que fôr, que isto as coisas com os tempos têm tendência a mudar.
Bem, fui determinada. O bar, cujo nome manterei no anonimato, esclarecendo apenas que é o feminino de circo - sim, no género de menino-menina; circo-Circ... (e mais não direi), e que o staff era meu conhecido (digo isto não por pretensiosismo na base do "sou fixe, conheço gajos de bares", mas porque me é muito mais custoso ir a um bar onde não conheço as pessoas a quem peço as minhas Colinhas, já que vivemos numa altura em que beber Coca-Cola é coisa de atrasado mental, como me auto-assumo).
Ora, portanto, chega-se, arrocha-se numa mesinha, e o som, ainda numa altura razoável, abusa tremendamente das palavras Africa, Jamaica, Africanism, Rastafari e outros vocábulos igualmente interessantes (observe-se que estas pérolas são ditas em linguagem própria, pelo que se deve ler Âfricâ, Jámeica, �fricaniseme, Rastáfárie).
Dou por mim a observar os espécimens que se passeiam pela pista (se é que se pode chamar pista a um espaço em que um jogo de Twister daria no máximo para um jogador e meio). Apercebo-me que para se ser reggaense, ou reggaeista, ou valha-nos o que fôr, não precisamos de ter grande trabalho. As calças são neo-hippies (neo-hippies é palavra de freak, bem sei, mas não há outra que possa aplicar), as saias são neo-hippies, as t-shirts e camisolas são neo-hippies. A única coisa que diferencia este gajos dos de Woodstock são as rastas, que lhes conferem um aspecto badalhoco, asqueroso, nojento, mas que dão grande style para se engatar umas miúdas.
Estou, por isso, deleitada com a apoteose desgraçada destes infelizes. Continuei sentada (como, aliás, estive a noite toda) e dediquei-me a tentar compreender o dialecto reggae. Devo dizer-vos que pouco compreendi para além das quatro palavras supra-referidas. (Se não fosse uma coisa por demais pedante, diria que aquilo era um complot contra mim e que os gajos se entendiam por código. Na melhor das hipóteses, seria talvez uma reunião de extra-terrestres, com prentensões de invasão da Terra, que tinham inspirado a indumentária em livros sobre neanderthais por a Vogue e a Cosmopolitan estarem esgotados.) No entanto, há que referir que julgo ter entendido bastantes palavras de inglês, entrecortadas por grunhidos guturais de Homem das Cavernas em altura de côrte.
Ao que me foi dado perceber, tratava-se de um retorno à s origens (roots, como eles próprios diziam, embora soasse mais a "parataparutzzz"), pelo que andei a ouvir reggae do anos 40 (?) e ska (que, ao que me foi dito, teve origem no reggae). Ao fim de três horas daquilo, achei que a minha noite seria mais proveitosa e edificante se tivesse estado a ver todos os Natais dos Hospitais, Prisões, Ordens de Beneficiência, e qualquer outro tipo de Instituição, estatal ou não, que mereça um Natal, transmitidos pelas nossas dilectÃssimas estações de televisão.
Despeço-me, por isso, com todo um vigoroso sentimento de dever cumprido (passa pelas minhas mãos instruir as gerações mais novas nos exemplos que devem seguir - ou não), maculado unicamente pela imburilável sensação de noite-perdida-para-nada.
Sou quem sabeis, Maria Cachucha
Bem, fui determinada. O bar, cujo nome manterei no anonimato, esclarecendo apenas que é o feminino de circo - sim, no género de menino-menina; circo-Circ... (e mais não direi), e que o staff era meu conhecido (digo isto não por pretensiosismo na base do "sou fixe, conheço gajos de bares", mas porque me é muito mais custoso ir a um bar onde não conheço as pessoas a quem peço as minhas Colinhas, já que vivemos numa altura em que beber Coca-Cola é coisa de atrasado mental, como me auto-assumo).
Ora, portanto, chega-se, arrocha-se numa mesinha, e o som, ainda numa altura razoável, abusa tremendamente das palavras Africa, Jamaica, Africanism, Rastafari e outros vocábulos igualmente interessantes (observe-se que estas pérolas são ditas em linguagem própria, pelo que se deve ler Âfricâ, Jámeica, �fricaniseme, Rastáfárie).
Dou por mim a observar os espécimens que se passeiam pela pista (se é que se pode chamar pista a um espaço em que um jogo de Twister daria no máximo para um jogador e meio). Apercebo-me que para se ser reggaense, ou reggaeista, ou valha-nos o que fôr, não precisamos de ter grande trabalho. As calças são neo-hippies (neo-hippies é palavra de freak, bem sei, mas não há outra que possa aplicar), as saias são neo-hippies, as t-shirts e camisolas são neo-hippies. A única coisa que diferencia este gajos dos de Woodstock são as rastas, que lhes conferem um aspecto badalhoco, asqueroso, nojento, mas que dão grande style para se engatar umas miúdas.
Estou, por isso, deleitada com a apoteose desgraçada destes infelizes. Continuei sentada (como, aliás, estive a noite toda) e dediquei-me a tentar compreender o dialecto reggae. Devo dizer-vos que pouco compreendi para além das quatro palavras supra-referidas. (Se não fosse uma coisa por demais pedante, diria que aquilo era um complot contra mim e que os gajos se entendiam por código. Na melhor das hipóteses, seria talvez uma reunião de extra-terrestres, com prentensões de invasão da Terra, que tinham inspirado a indumentária em livros sobre neanderthais por a Vogue e a Cosmopolitan estarem esgotados.) No entanto, há que referir que julgo ter entendido bastantes palavras de inglês, entrecortadas por grunhidos guturais de Homem das Cavernas em altura de côrte.
Ao que me foi dado perceber, tratava-se de um retorno à s origens (roots, como eles próprios diziam, embora soasse mais a "parataparutzzz"), pelo que andei a ouvir reggae do anos 40 (?) e ska (que, ao que me foi dito, teve origem no reggae). Ao fim de três horas daquilo, achei que a minha noite seria mais proveitosa e edificante se tivesse estado a ver todos os Natais dos Hospitais, Prisões, Ordens de Beneficiência, e qualquer outro tipo de Instituição, estatal ou não, que mereça um Natal, transmitidos pelas nossas dilectÃssimas estações de televisão.
Despeço-me, por isso, com todo um vigoroso sentimento de dever cumprido (passa pelas minhas mãos instruir as gerações mais novas nos exemplos que devem seguir - ou não), maculado unicamente pela imburilável sensação de noite-perdida-para-nada.
Sou quem sabeis, Maria Cachucha

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