quarta-feira, dezembro 31, 2003

Acerca da MINHA origem

Tenho em crer, e julgo não estar a aventar levianas induções, que a frase que mais profusamente me é dirigida desde que me conheço é "Tu não bates bem dos cornos" (Incluindo todas as suas variações lexicais, mas não necessariamente semânticas). Ora, dedicando-me eu a estudar visceralmente o estado de degradação desta Nação, posso adiantar sem trepidez de petear, que faço parte de um género indubitavelmente superior ao vosso, sumários portugueses. Tudo isto dimana de simples genética, sendo, por isso, claramente irrefutável.

Toda esta minha teoria assenta no facto ambos os meus progenitores serem fruto de uma experiência, levada a cabo aquando da Guerra do Vietname. A minha mãe é um projecto de espia americano. Medindo não mais que 50 centímetro, esta esculca não teria problemas em esconder-se na mata coreana. O meu pai, por seu lado, é uma criação russa. Do alto dos seus 2 metros de altura e 4 de envergadura, tem o poder destrutivo de meia-bomba atómica.

Os projectos foram desenvolvidos na segunda metade do decénio de 50, mas revelaram-se altamente defeituosos, com características certamente inumanas moxinifadas com esboços de complacência incontestavelmente pertencentes ao "nosso" género. Sabendo-os, por isso, inúteis à utilização na querela, os dois espécimens, meio-homens meio-seja-o-que-fôr, foram deportados para um país à beira-mar-plantado-que-toda-a-gente-conhece, entregues à mão de um ditador chamado Salazar, que depois se encarregaria de os atribuir às respectivas famílias.

Escusado será dizer que, anos depois, reconheceram um no outro incosteáveis parecenças, e acabaram por casar. Os felizes rebentos desta relação sou eu e o meu irmão.

Cá em casa todos sofremos de graves distúrbios. É, por isso, natural, que a minha mãe, quando está no trânsito diga que os outros deviam era "ficar em casa a tirar crostas do cu" ou que invente localidades como "Vilar do Foda-se" ou "[todos os caminhos vão dar à] Puta-que-os-pariu". Julgo também ser aceitável que ela considere fenómenos como baptizar rotundas, apitando enquanto conduz à volta das mesmas, divertidos. Já menos compreensível é o facto de ela gostar de Luís Represas. O meu pai, por seu lado, é menino para tentar ensinar àguias a falar ou cumprimentar as pessoas que vão lá a casa com metade do corpo dentro da entrada para o esgoto, no jardim. Impensável será a sua felicidade consistir em plantar couves e batatas no quintal, e conseguir pôr a pé todas as pessoas num raio de 37kms ao fechar a porta do micro-ondas.

Acho que este tipo de situação explica o origem das minhas perturbações. Eu, lá no fundo, só queria ser uma menina como as outras... Mas sinto ser meu dever contribuir para o bem da Humanidade. (Uma coisa que melhoraria de certeza o ar desta Mundo era matar a Betty Grafstein, mas como a mulher é elástica à custa de tantas plásticas, transforma-se em tudo aquilo que lhe vier à cabeça, e eu não quero matar o Ferro Rodrigues - vai ser giro vê-lo cumprir trabalhos pesados na prisão de Caxias).


Sou (por isto) quem sabeis, Maria Cachucha.