O cabeleireiro
Tive esta manhã o prazer de me deslocar a essa instituição que em tanto contribui para a determinação das qualidades indissociáveis da portuguesa-tipo, o cabeleireiro. Para vós, que sois homens e não compreendeis o significado de tal expressão, escuso-vos uma ida ao dicionário, esclarecendo que a definição mais precisa que se pode arranjar para cabeleireiro é "inferno em que o Berzabu tem ENORMES MOLAS-TIRA-ESCALPES nas mãos e Cerbéro foi substituÃdo por um secador gigante com três cabeças". Bem sei, é assustador. Mas toda a mulher se tem de prestar a este tipo de sofrimento, de vez em quando.
A acrescentar a este quadro já de si apavorante é o facto de, devido à minha incapacidade motora, eu ter exposto a minha maravilhosa juba ao tratamento de um cabeleiro rechousense. Pois. Na Rechousa. Essa mesma. A Rechousa.
Ora, um dos rituais dos cabeleireiros é o da espera. Fala-se nas repartições públicas, nos centros de saúde, nas filas de supermercado, mas o cabeleireiro é sempre esquecido em questões de espera. E isto é injusto, porque hoje, que estava num dia de sorte, esperei hora e meia até ir lavar o cabelo.
E essa hora e meia de espera foi preenchida com belos episódios do quotidiano do cabeleireiro: a minha atenção dividia-se entre a cusquice das senhoras da direita, a exaltação da inteligência da (e atentem no nome da criança, observem esta pequena maravilha) Renata Carina, repito, Renata Carina, que com três aninhos já sabia quem era o Primeiro-Misnistro (digo eu que mais valia a criança saber onde é o McDonald's mais próximo, mas enfim..) e o belo tratamento de pedicure que era administrado a uma senhora de, pelo menos, 756 anos.
Após o tratamento aos pés da senhora, a cabeleireira vira-se para a minha pessoa e diz "Ora menina, vamos lá lavar o cabelo". E digo eu "Ora como é que é?? Teve a escarafunchar os furúnculos de uma velhota e AGORA vem-me tratar do cabelo? Valha-me São Joshua, não pode ser!! Antes de me tratar do cabelo, a senhora vai pôr álcool nas mãos e deitar-lhes fogo, para se livrar dos germes, e DEPOIS trata-me do cabelo!". Não sei porquê, mas insurgiram-se todas contra mim. Mesmo assim, levei a minha avante, embora tenha cedido um bocadinho e evitado à cabeleireira de queimar as mãos, pelo que só teve de as lavar. Depois disto, dedicou-se a esfregar-me o couro cabeludo com tal força que julguei que fosse acabar loura.
Acabadinha de lavar e já sentadinha na cadeira de corte, levanta-se no cabeleireiro um censo acerca da CÔR que seria aplicada ao meu cabelo. Coisa democrática, a votos e tudo, do género:
Cabeleireira - Quem é a favor da côr roxo-couve com madeixas vermelhas-tomate ponha o braço no ar
(7 braços levantam-se)
Cabeleireira - E quem é que prefere o cabelo azul-eléctrico com madeixas loiras?
(9 braços levantam-se)
Cabeleireira - Ora pronto, tá decidido, menina
Eu - Mas olhe, era só para cortar as pontas espigadas...
Cabeleireira - Oh menina, eu é que sei, eu é que sou profissional, eu é que tirei um curso na Isabel Queiroz do Vale!!!
Eu - Oh minha senhora, o cabelo é meu, caraças!!
Mais discussão. Levei a minha avante, desta vez sem cedências. Estou a melhorar, o FBI devia contratar-me como negociadora. Agora que reparo, estou com uma falha grande aqui atrás... Deve ser impressão minha... NÃO É?
Ora, pronto, foi isto
Sou quem sabeis, Maria Cachucha
A acrescentar a este quadro já de si apavorante é o facto de, devido à minha incapacidade motora, eu ter exposto a minha maravilhosa juba ao tratamento de um cabeleiro rechousense. Pois. Na Rechousa. Essa mesma. A Rechousa.
Ora, um dos rituais dos cabeleireiros é o da espera. Fala-se nas repartições públicas, nos centros de saúde, nas filas de supermercado, mas o cabeleireiro é sempre esquecido em questões de espera. E isto é injusto, porque hoje, que estava num dia de sorte, esperei hora e meia até ir lavar o cabelo.
E essa hora e meia de espera foi preenchida com belos episódios do quotidiano do cabeleireiro: a minha atenção dividia-se entre a cusquice das senhoras da direita, a exaltação da inteligência da (e atentem no nome da criança, observem esta pequena maravilha) Renata Carina, repito, Renata Carina, que com três aninhos já sabia quem era o Primeiro-Misnistro (digo eu que mais valia a criança saber onde é o McDonald's mais próximo, mas enfim..) e o belo tratamento de pedicure que era administrado a uma senhora de, pelo menos, 756 anos.
Após o tratamento aos pés da senhora, a cabeleireira vira-se para a minha pessoa e diz "Ora menina, vamos lá lavar o cabelo". E digo eu "Ora como é que é?? Teve a escarafunchar os furúnculos de uma velhota e AGORA vem-me tratar do cabelo? Valha-me São Joshua, não pode ser!! Antes de me tratar do cabelo, a senhora vai pôr álcool nas mãos e deitar-lhes fogo, para se livrar dos germes, e DEPOIS trata-me do cabelo!". Não sei porquê, mas insurgiram-se todas contra mim. Mesmo assim, levei a minha avante, embora tenha cedido um bocadinho e evitado à cabeleireira de queimar as mãos, pelo que só teve de as lavar. Depois disto, dedicou-se a esfregar-me o couro cabeludo com tal força que julguei que fosse acabar loura.
Acabadinha de lavar e já sentadinha na cadeira de corte, levanta-se no cabeleireiro um censo acerca da CÔR que seria aplicada ao meu cabelo. Coisa democrática, a votos e tudo, do género:
Cabeleireira - Quem é a favor da côr roxo-couve com madeixas vermelhas-tomate ponha o braço no ar
(7 braços levantam-se)
Cabeleireira - E quem é que prefere o cabelo azul-eléctrico com madeixas loiras?
(9 braços levantam-se)
Cabeleireira - Ora pronto, tá decidido, menina
Eu - Mas olhe, era só para cortar as pontas espigadas...
Cabeleireira - Oh menina, eu é que sei, eu é que sou profissional, eu é que tirei um curso na Isabel Queiroz do Vale!!!
Eu - Oh minha senhora, o cabelo é meu, caraças!!
Mais discussão. Levei a minha avante, desta vez sem cedências. Estou a melhorar, o FBI devia contratar-me como negociadora. Agora que reparo, estou com uma falha grande aqui atrás... Deve ser impressão minha... NÃO É?
Ora, pronto, foi isto
Sou quem sabeis, Maria Cachucha

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