sábado, dezembro 06, 2003

Ora cá estamos nós de volta a este belo apontamento. Sábado, dia... 6 de Dezembro, 18 dias para esse belo dia em que se recebem as prendas e o dinheirinho, 19 para o fastidioso dia do farrapinho velho com a admirável familiazinha e as consequentes criancinhas que nunca morrem de pneumonia ou de meningite durante o ano. Oh my God, I'm so joyful...

Eram 9 da manhà de hoje e dirigia-me eu, sonolenta e olheirenta, fazendo-me acompanhar da minha excelsa Mãezinha, a esse grande espelho de civilização que é o supermercado. A nossa intenção primária era ir Ãs compras, mas toda a gente sabe que compras é o que menos se acaba por fazer em supermercados, dada a impossibilidade de movimentção em tao exíguo, superpovoado e interessante espaço.
Direi até mais, o supermercado quase consegue destronar as camionetas dos Carvalhos em matéria de análise populacional (embora as camionetas dos Carvalhos tenham um lugar perfeitamente inapartável e inatíngivel no coração de todo o bom português que se dedique à análise populacional deste paí­s).
Mas estávamos no parque de estacionamento. Bem intencionadas como de costume, com aquela moedinha de plástico vermelho impregnada de classe que nos dão para metermos na ranhura do carrinho (sim, a mesma que metemos no porta-luvas, ou na carteira, ou seja lá onde for, e à  qual, de semana a semana, dedicamos algumas horas do nosso dia à  procura, acabando sempe por ir pedir outra à menina das informações). Tiramos o carrinho e deixem-me agora falar do carrinho. O carrinho. Não há palavras para o descrever, mas tentarei ser fiel e objectiva, muito embora se me assemelhe esta tarefa impossÃível, já que a minha relação com o carrinho se desenvolve desde tenra idade e há laços de amizade que vÃo além de toda a objectividade. O carrinho é equiparável ao carro de Apolo, mas sem os cavalos e as luzes todas. É equiparável ao trenó do Pai Natal, mas sem as renas e prendas só se pagarmos por elas. O carrinho é um meio de locomoção de compras que há-de ter dado ao seu criador o Nobel da Tecnologia. Com as suas quatro rodas que vão cada uma para seu lado, obrigando o condutor a manobras perigosí­ssimas em corredores cheios de gente e o seu belo cesto vermelho "não-ultrapassar-os-15-kg", grande atractivo no design já de si moderno e arrojado, o carrinho auto-assume-se como o Senhor do Supermercado. Durante o dia, assume aquela pose inocente de simples meio locomotor de cenouras e toalhetes, mas à  noite é vê-los a reunir nos armazéns e organizarem, juntamente com os monta-cargas e os escadotes, ofensivas aos balcões frigoríficos do peixe e do queijo. Bem sei, é uma visão dificil de ser aceite, mas não é por isso que é menos real.

E com esta pequena introdção à  realidade do carrinho de supermercado me despeço por ora. Já tou farta disto, depois continuarei a saga do Supermercado. Perguntam vocês "mas afinal, qual é a intenção desta anormal ao contar-nos isto?". Boa pergunta.

Beijinho Beijinho
Sou quem sabeis, Maria Cachucha