quarta-feira, dezembro 08, 2004

Amor de Perdição - especialmente para as canelas do moçoilo

Há uma porrada de anos, andava Cachucha na primária, houve um cachopo que teve a infeliz ideia de cair de amores por ela. (deixe-se aqui bem claro que, desde essa altura, ninguém cometeu o mesmo erro, para bem da Humanidade)

O mocinho chamava-se Afonso e era o campeão de Ranhos e Fanhosidades Afins lá da turma, o que lhe conferia um certo status, para além de representar muito capazmente esse espécime já devidamente chupado até ao tutano por Nuno Markl: o rapazinho-de-cabelo-à-tigela-e-óculos.

Eu, como está claro, cagava para o Afonso. (para tornar esta história mais gráfica e numa tentativa frustrada de apiadar este blog, imagine-se uma rapariguinha com um vestido à marinheiro pelo joelho, sapatinhos de verniz e meia branca com folhinhos a chutar violentamente as canelas de um menino de óculos e cabelinho à tigela, que vestia um equipamento do F. C. Porto e tinha um gorro daqueles fashion dos Super-Dragões, ou coisa que o valha, até o moço ir fazer queixas à contínua - coisa que, no fim do recreio, lhe valia umas valentes cabeçadas e uns socos bem dados. Pronto, isto das cabeçadas e dos socos também não terá sido bem assim.)

Numa última tentativa de chamar a minha atenção, o Afonso manda-me uma carta de amor. Ora, tornando mais uma vez público que me chamo Vanessa, atente-se na beleza do texto:

"Vaneça, és a rapariga mais bonita da nossa turma. Queres namorar comigo? Beijinhos, Afonso."

E, como se isto não bastasse, no fim da página estava aquilo que iria ditar o desfecho desta bela história de amor: um coraçãozinho com os arrojados dizeres "Afonso loves Vaneça".

Cheira-me que é dessa altura que vêm todos os meus traumas. O Afonso também deve ter ficado traumatizado (é, efectivamente, uma capacidade que eu tenho, a de traumatizar os homens). As canelas deles ainda hoje não devem ser as mesmas. Temos pena.

Sou quem sabeis, Maria Cachucha,