sábado, outubro 23, 2004

Cabrão do velho...

Ia começar a escrever sobre as coisas que mudam o Mundo e paneleirices afins. Mas depois pensei que nesta casa o que menos se faz é ligar a essas coisas. A clientela não vem cá à procura de longas dissertações acerca do estado da economia portuguesa e eu não tenho jeito para falar disso. E, provavelmente, também não ia ter capacidade, o mais provável era cair em cima do teclado.

Por isso, vou falar de coisas que realmente interessam. Como o assédio nos autocarros. Vou aqui expor um caso verídico e espero que alguém na TVI tome conhecimento disto e dê a devida atenção à questão. De preferência, abram uma Conta de Apoio à Vítima de Assédio no Autocarro, com tratamentos a ser ministrados nas Honduras.

Maria Cachucha* encontrava-se há dias no autocarro 78 com vista a rumar para a faculdade onde lhe iria ser leccionada mais uma profundamente aborrecida aula de não-sei-o-quê. Autocarro cheio de gente, Cachucha estava em pé entre dois velhotes, descansadinha da vida. Eis senão quando (belíssima expressão, esta) sente qualquer coisa a subir-lhe pela perna acima. "Ui, mas o que é isto?", pergunta-se Cachucha, na incredulidade inerente à sua característica pureza. Caga no assunto, às vezes nos autocarros acontecem mui estranha e variadas coisas, mas põe-se à coca. Dois minutos depois, sente de novo qualquer coisa a subir-lhe perna acima e, para seu espanto, verifica que é a mão de um dos velhos que a rodeavam. Cachucha pega na mochila, dá um encosto no velho e baza do autocarro, com o sangue a ferver-lhe nas veias, caralho lá pó cabrão do velho, havia de vir um tubarão paneleiro, era o que havia de vir.

Cachucha é, desde essa altura, uma rapariga traumatizada que sempre que está a conduzir e vê um velho a atravessar a passadeira tem uma vontade enorme de o atropelar. Acha que, a partir dos 35 anos, os homens deviam ser todos metidos em prisões onde fossem alimentados a pão e água até ao fim das suas vidas. Só se deixavam aqueles cotas jeitosos. E os trolhas, que a gente não tem jeito para acartar cimento. E os mecânicos, que o mulherio não sabe mudar pneus. Mas, mesmo esses, cosiam-se-lhes os lábios, e era para 'tarem quietinhos e ai de quem tocasse nas gajas. De resto, choldra com eles todos, chicoteados de manhã e à noite e quem resmungasse era punido com trabalhos forçados. Como ver a Teresa Guilherme a apresentar o "1,2,3", logo seguida do José Figueiras e da Não-sei-quantas no "Às duas por três". Para finalizar, Fátima Lopes com "Perdoa-me". E relatórios obrigatórios de todos os concorrentes que participassem em cada um dos programas e dos convidados e das músicas que tivessem cantado. Piava tudo baixinho, se eu mandasse neste país!

*nome fictício

Sou quem sabeis, Maria Cachucha.