sexta-feira, agosto 13, 2004

Música de putas

Eu gosto de música de putas. Acho que a música de putas é das maiores invenções da nossa sociedade e queria dar um grande bem-haja ao gajo que inventou a música de putas. Que, não haja dúvidas, foi o Sean Paul.

Ontem, 'tava eu com uns sócios num bar, na grande paz, a ouvir um sonzinho bem calmo, e, de um momento para o outro, começa a chamada música de kengas - Get Busy, do Senhor Supra-citado. E isto tem piada porque, imagine-se...

Estamos na conversa, a falar de nada de jeito, como tanto gostamos, e aos primeiros "acordes" de qualquer música de putas, o mulherio levanta-se. Vai começar a côrte. Eu não tenho bem certeza daquilo que vou dizer, mas acho que com os bichos é ao contrário - o macho é que se abana todo para as fêmeas. Aqui não. As fêmeas levantam o cú dos sofás, bem formado à custa de muito exercício para os glúteos nos ginásios, empinam-no e começam a roçar-se (não importa em quem ou em quê, até pode ser numa das colunas do bar, o que importa é que se rocem). O machame fica logo todo maluco e começa a comentar "Hey, ó Zé... Tu já me viste aquela boazuda? Txê.... Olha-me para aquela prateleira! E já a manjaste a dançar? Se for assim na cama, 'tou bem feito!" "Ya... E olha lá aquela do top vermelho, sem costas! Tu já me viste bem aquele cú?! Man, não passa d'hoje!". Tudo isto acompanhado do devido copo, de costas para o bar, cotovelos apoiados, abananço masculino, como que a aprovar o movimento apoteótico do cú fêmea. Elas, por sua vez, discutem a qualidade dos supostos pretendentes "Oh Mena, olha aquele com a camisa aberta... Está a olhar para mim... Que achas?" "Oh Ni, aquele com ar de betinho é mais giro... E veste Burberry's... Mas tu é que sabes, amiga..." (isto sem nunca deixarem de se roçar uma na outra, para dar ar de bissexuais-wow-nós-é-que-somos-modernas). Antes do início do primeiro refrão, já o machame está todo na pista, a degladiar-se por uma fêvera mais descomposta e bem bebida. É vê-los a fazer figuras tristes, ainda de copo na mão, cabelinho com gel puxado para trás, macho suburbano no engate de fêmea caixa do Continente. No fim da música, e se o gajo tiver um bocadinho de sorte, já a gaja está a roçar-se nele, como as gajas na MTV se roçam no 50Cent, no Usher e no Pharell. Um copo pago depois, já se dirigem ao Punto tunning do gajo e a noite acaba em Leça ou em Matosinhos.

E tu, Cachucha, que fazes tu, enquanto esta gente está a investir no roço genralizado? Eu 'tou sentada, a olhar para aqueles masmarrachos à minha frente. De vez em quando, abano a cabeça duas ou três vezes ou bato o pé, para as pessoas não acharem que sou deficiente de todo. Em dias piores, ainda me levanto para ir dançar um bocadinho. Depois, ganho juízo e saio dali do meio. Cerca de um quarto de hora depois, é ver-me a sair porta fora.

Mas também, quem me manda a mim, Cachucha, menina de bons costumes, educada e de alta-linhagem, meter-me nestes antros?

Sou quem sabeis, Maria Cachucha.