quinta-feira, agosto 12, 2004

Os símios e a literatura portuguesa

Eu ia preparar-me para dizer outra vez mal dos símios da América do Sul e desta vez era por causa daquela merda de adaptação d"Os Maias", a soberba obra de Eça de Queiroz, adaptação essa que me parece desvirtuar estupidamente a genialidade do autor (tradução: os filhos da puta dos símios a porem o Eça às voltas no caixão).

Mas, como eu não gosto de falar do que não sei (cof cof) fui-me informar e, num site símio descobri esta pérola:

Coube à portuguesa Maria Adelaide Amaral ,autora de peças de teatro e livros ( e ainda, da bem-sucedida adaptação para minissérie de A Muralha,de Dinah Silveira Queiroz) , transpor o clássico romance de Eça de Queiroz (publicado em 1888) para a televisão, o que, a meu ver, resultou num dos trabalhos de rara beleza visual conjugado com um apuradíssimo texto, preocupado em seguir de perto a ironia e o ataque corrosivos que o autor desferiu à indolente sociedade portuguesa de seu tempo, segundo ele, corroída pelo ócio.


Mas que raios-fodam é este? Lá a parte da beleza visual eu não discuto, enfim... Agora.. apuradíssimo texto? Ai sim, de certeza... Primeiro, há símios a tentar falar português, o que é mau e dá vontade de rir ("Carlos Eduardo, eu amo-txi.", "Maria Eduarda, tu é o amor da minha vida." ou "Meu netxo, como todoz oz Maiáz, está prêdêstinado a sofrê") e "Os Maias" são uma tragédia, não uma comédia..

Segundo, os gajos não sabem que o avô se chama Afonso da Maia, preferem, tratá-lo respeitosamente como "Velho Maia".

Terceiro, e a pièce de résistance, "O único senão foi a aparição nos últimos capítulos, da chorosa e arrependida mãe que abandonara o filho e , de certa forma, atirou os irmãos ao incesto. Maria Manforte, depois de mais velha e tísica , queria abraçar pegajosamente o filho , sua vítima."´

Pois claro. Há um capítulo que Eça retirou à sua obra e que, só agora, mais de 100 anos depois, foi redescoberto pelo pessoal da Globo, em que Maria Monforte, que deveria estar morta, se levanta, "tísica e pegajosa", para vir abraçar e desculpar-se aos filhos.

E foi uma portuguesa, ainda por cima do Porto, que adaptou isto? Estava quase a começar a chorar mas, depois de ler mais um artigo sobre a mulher (não tinha nada que fazer, já viram as horas do post?), cheguei à conclusão que ela vive no Brasil, provavelmente há muitos anos. Está infectada.

Agora, estou à espera de uma adaptação d'"Os Lusíadas":

"E entxão, quandjo pássssávam o Cabo das Tôrmentjas, o Adamastor si lêvantou e comeu toda a tripulação, utjilizando dxipôis o mastro da navi espáciáu pôrtuguêsa (sim, dissscobrimos outro djia qui era uma navi espáciáu) pára palitar oz dêntjis."

Sou quem sabeis, Maria Cachucha.