quinta-feira, agosto 12, 2004

Porque (ainda) é verdade

"Que uma gaja estude e trabalhe, pague impostos como um homem e mude o óleo ao carro com as próprias mãos sem medo ao estrago da manicura, que fale em público vestida de gente séria e exerça por esse mundo fora de directora geral é uma coisa, que para isso foram escritas a Constituição e as leis penais, mas no mundo privado, de portas para dentro, a cantiga é bem diferente. E isso as minhas amigas fufas não percebem, não atingem que dentro de casa a mulher trabalhadeira se transforme nessa esposa perfeita, jantar pronto e os meninos com banho tomado e na cama depois do tele-jornal e conta lá meu amor, como correu a reunião com os camionistas, espera só que arrume a cozinha, estenda a roupa e deixe um recado à mulher-a-dias, queres um conhaque enquanto vês o resumo dos melhores golos da liga sueca?

(...)

Fodido, este Portugal, em que as próprias mulheres se defendem frente aos avanços dos tempos com a desculpa desse role que no fundo lhes incomoda, mas que lhes assegura queca semanal e reconhecimento social, que é o que importa, senhora de e sem apelido de solteira."

É quem sabeis, Rititi.