sábado, fevereiro 14, 2004

(Durante o dia de hoje a Cachucha andou a passear-se por dois shoppings do grande Porto - respectivamente, o NorteShopping e o ArrabidaShopping. Hoje é dia 14 de Fevereiro. Não há Cachucho para a Cachucha.

Que faz a Cachucha num dia depressivo como estes?

Muito simples: vê filmes estúpidos como o estupidíssimo da Sofia Coppola, "Lost in Translation", e sai da sala de cinema meia hora antes do fim com espasmos regurgitatórios, come gomas e Swirls, como já não comia bem decerto desde os 10 anos, e fica ainda mais espasmódica, leva com putos de 13 anos a trocarem saliva de forma nada higiénica, expondo línguas à luz do dia e mostrando o quão inocentes são nestas artes, vê pares de namorados abraçados, MUITOS pares de namorados abraçados. Vai para casa pensar na razão pela qual há quem ache, neste governo, que os bailarinos profissionais são uma classe importante no universo activo português e que, por isso, merecem reformar-se aos 45 anos, quando o simples operário fabril, se aos 45 anos vai para a rua, tem de continuar a trabalhar que se lixa, aproveita para pensar na razão pela qual será requisito básico, constante no curriculum vitae, para todo o candidato a presidente dos E.U.A., não ter/ter tido relações extra-conjugais, quando, e segundo a sabedoria popular, "errar é humano, perdoar é divino". O povo americano sempre teve um bocado a mania que era Deus - claramente por influência dos seus dirigentes, por isso, estou certa que em nada tal notícia afectará John Kerry, pois o povo americano faz jus a este tipo de ditos.)

Cachucha suicida-se, às 21h30m do dia 14 de Fevereiro de 2004, após tomar 873 Valiums e de desfazer à paulada a televisão do quarto, que, estagnada no (também) quarto canal, publicitava o perfume Amor Amor. Das colunas da aparelhagem, emana o som da "Velha Infância" dos Tribalistas: "Você é ásssssim, um ssonho prá mim e quando éu naum txi veijo... Eu pénso eim vôcé, desdxi o amanhêcé até quandjo eu mi deitxo...".

O país pára, em tributo a esta nobre jovem que morreu por uma causa: a de esquecerem para sempre que alguém, alguma vez, inventou o dia dos Namorados porque era preciso rentabilizar o mês de Fevereiro. De ora em diante, este dia será conhecido como o dia de Santa Maria Cachucha, Salvadora dos Solitários e dos Mal-Amados e será decretado feriado nacional, porque o povo não tem culpa que o Estado seja laico. Os devotos peregrinarão todos os anos até à Rechousa, em forma de agradecimento pelo Amor de Santa Cachucha pela Humanidade. Assim seja.

Sou quem sabeis, Maria Cachucha