sábado, março 19, 2005

A revolução

A revolução nasceu num dia de nevoeiro de 1995, em que a Parada Gay Portuense, que todos os anos se realiza nessa altura, teve de ser travada pela aparição de D. Sebastião, que posteriormente veio a tornar-se conhecido como "a Bicha do Ano". D. Sebastião tinha desaparecido uma macatrefada de anos antes. Há relatos de que foi morto ou feito prisioneiro de guerra em Alcácer-Quibir, mas a verdade é que se associou a um grupo de islâmicos dançarinos e partiu em viagem pelo deserto do Sahara, apresentando a versão gay do "Lago dos Cisnes" por tudo quanto era Tuaregolândia.

Ora, nesse dia nevoeirento de 1995, a bicha Jocasta estava à espera do 21, ali na Constitução, porque se tinha atrasado com os bigoudis*. Jocasta tinha-se esquecido do passe, esse execrável companheiro de toda a bicha ecológica, mas sabia que o motorista Anacleto era particularmente aficcionado das suas pernas bem torneadas e depiladas. Efectivamente, àquela hora, Anacleto revolvia-se na cama com um surto de febre das galinhas, o que levara à sua substituição por Amâncio, senhor de farta bigodaça e costumes castos, que, no entanto, não resistia à sensualidade das formas de Cacilda, a jovem vizinha do 5º esquerdo, que exercia na zona da Baixa a nobre profissão do meretrício. Era, aliás, compreensível a reacção de Amâncio à visão de Cacilda que, no fulgor dos seus 15 anos, juntava a um corpo que conservava certos traços de menina, um "saber de experiência feito", transmitido através de várias gerações de marafonas, a popular "casa de putas boas e baratas ali por trás da Câmara Municipal". A imagem de Cacilda, o fresco aroma a lavanda que rescendia dos seus cabelos, o leve ondular das suas ancas enquanto descia as escadas, tudo isto ocupava a mente de Amância quando, às 15horas desse certo dia de 1995, pára o autocarro, por essa altura ponteado de casais de velhotes, na Constituição. A bicha Jocasta sobe os degraus do "ônibus" (como a sua costela brasileira insiste em chamar-lhe), e é nesse momento que Amâncio, à visão de tal mostrengo, a traz à razão dizendo: "Você é uma bicha asquerosa, haviam de lhe grelhar os tomates numa máquina de fritar crepes."

E foi isto.


* A autora não sabe necessariamente o que isso seja. Supõe-se que tenha a ver com coisas para encaracolar o cabelo, mas o tira-teimas não foi levado a cabo porque, segundo a própria, "abrir uma janela para ir perguntar ao Google faz calos"

Sou quem sabeis, Maria Cachucha.

2 Comments:

Blogger Tobias said...

Pois…é uma maneira diferente de ver a história. Tornaria, por certo, as aulas de história menos maçadoras (mas isso, até um programa rasca dos Batanetes consegue fazer, mas enfim…). Agora surge um problema: convencer os professores a dizer palavras como bicha, merda, caralho e afins. No dia em que isso acontecer, eu juro que volto a abrir os olhos numa aula de história.

Muitos beijinhos e obrigado por me ajudares na elaboração de um plano revolucionário para o ensino português.
Cachuchinha, you are the queen!!! *vénia*

11:37 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Very nice site! » »

1:35 p.m.  

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