sexta-feira, setembro 10, 2004

Colégio da Nossa Senhora do Caralhinho que os Foda

Às custas desta história das colocações dos profs e o caralho a trezentos e cinquenta e oito, cheguei a simbólica conclusão que irei partilhar convosco, para que saiais (?) desse poço de ignorância que sois.

Filho meu nunca na puta da vida há-de frequentar escolinha privada. Por muitas e variadas razões:

  1. Nas escolas privadas há sempre uma Madre-Directora, um Director-Pedófilo ou uma Manuela-Ferreira-Leite-em-dia-de-TPM-Directora. É um fenómeno social bem estranho, mas nunca na vida conheci director de coleginho que fosse normal e não parecesse andar sobre efeito de drogas ou plásticas;
  2. Nas escolas privadas há o grande defeito de os moços terem todos nomes esquisitos: Salvador Bernardo, Guilherme Maria, Maria Benedita, Mariana Catarina. O nome da criança é, aliás, critério para a escolha dos alunos a frequentar a dita privada: "Quê? Renata Carina?! Não, não, isso não pode entrar aqui... Por outro lado, essa menina Custódia... Mas que nome tão bonito...";
  3. Nas escolas privadas os chavalos não jogam futebol como deve ser. Andam com calçõezinhos da Nike e pólos da Burberry's a passear-se pelo campo. Não dão caneldas e , se por acaso ocorre violência de qualquer género, há no coleginho Hirudoid e Betadine para desinfectar o menino. Na pública, QUANDO MUITO, há álcool e gelo. Alguns meninos pedem dispensa da aula de Educação Física porque acham que futebol é muito violento. "Não, não, nós só jogamos ténis e golf. E desportos acerca dos quais ninguém percebe um caraças como cricket ou squash - sim, o facto de ter nomes altamente pretensiosos e de se pronunciarem "crííí-kêt" e "squóósh", tornam-nos desportos altamente fashion, logo, passíveis de serem jogados por nós";
  4. Nas escolas privadas, as gajas têm discussões parvas. "Ah, mas o Né, no Estado Novo, atirou-me um beijo do bar 3, aquele onde está o Guigas...", "Lá está, mas o rosa-shock já vesti há três meses! Caramba, tu sabes que eu só gosto de vestir a roupa de ano a ano, senão a Mafi diz-me que eu tou sempre com a mesma coisa..." e têm sempre cara de virgens enjoadas e narizes grandes e vão para as aulas de saltos altos;
  5. Nas escolas privadas, toda a gente tem a mania que quer ser doutor. Médico, engenheiro, advogado, uma merda qualquer. Estudam pra caralho, tiram 20 nos testes e depois, nos exames nacionais, têm 6. Acabam por ir gerir a empresa do pai ou por casar com um gajo/gaja ainda mais rico que eles, para os sustentar;
  6. Nas escolas privadas, não há carteiras sujas, nem paredes com graffiti, nem canos rotos. Ora, no último Dicionário da Porto Editora, da definição de escola constava "espaço com vista ao leccionamento de aulas, altamente vandalizado ou, preferencialmente, em vias de ruir". Toda a gente sabe que os dicionários da Porto Editora não se enganam, logo, segundo a lógica, um colégio ou instituição privada cuja pretensão seja o leccionamento de aulas não preenche os requisitos da Porto Editora para exercer tal cargo. É bom que as entidades responsáveis atentem nisto;
  7. Nas escolas privadas, só há betos. Uma das coisas boas de ser ser da pública é poder-se gozar com os betos. Ora, sendo-se beto, como é que se pode gozar com um igual? Era quase como... sei lá, se agora ou judeus se começassem a chamar avarentos uns aos outros. Ou como se o Castelo Branco chamasse gay ao Elton John...

(Tenho de agradecer ao Governo por me ter dado a ver a luz...)

Sou quem sabeis, Maria Cachucha.