Patriotismo versão Homem-Águia
Aqui há dias, estava no 79 com uns amigos (amigos, perguntam-se vocês? Cachucha, tu tens amigos? Olha que as pessoas que estão ao teu lado no autocarro não são necessariamente tuas amigas...) e sentada de frente para nós estava uma senhora dos seus 65 anos, devidamente ornada com um pin-bandeira de Portugal que dava luz. Uma árvore de Natal versão bandeira portuguesa. Provavelmente, mais uma criação Loja dos Chinas, esses pródigos investidores em tudo o que seja profundamente parolo e, exactamente por isso, passível de ser alvo de adoração por parte de todo o povo tuga.
Até aqui, tudo bem. O gozo à volta daquela adereço foi generalizado, mas nunca mais durante o dia me lembrei disso - até chegar a casa, à noite, e deparar-me com o Homem-Águia que me oferece, muitíssimo orgulhoso de se ter lembrado que tem uma filha para além dos momentos em que precisa de meias ou de uns trocos para tabaco (na terra de toda a gente é ao contrário, mas, cá em casa, é o pai que crava a filha), uma fantástica bandeira luminosa, igual à da senhora do 79 e que agora quer que eu use, portando ao peito esse belo símbolo de patriotismo-brolho.
E pronto, cá ando eu, com aquela coisa a encandear-me as vistas sempre que olho para baixo, para não desiludir o velhote, esperando que aquilo se estrague o mais rapidamente possível (geralmente, estas coisas, por serem dos Chinas ou das senhoras que andam a vender aventais na Baixa, passado duas horas estão estragadas. Mas não, isto é "produto-Óro", por isso, se Joshua quiser e para gáudio do Homem-Águia, há-de durar e brilhar, qual farol de Matosinhos, até eu ser velhinha e poder recambiá-lo para um qualquer neto, com aquela desculpa "Sabes netinho? Isto era do teu bisavô... Nos idos de 2004...")
Joshua vos salve de tal destino, meus caros.
Sou quem sabeis, (uma mais coruscante) Maria Cachucha.
Até aqui, tudo bem. O gozo à volta daquela adereço foi generalizado, mas nunca mais durante o dia me lembrei disso - até chegar a casa, à noite, e deparar-me com o Homem-Águia que me oferece, muitíssimo orgulhoso de se ter lembrado que tem uma filha para além dos momentos em que precisa de meias ou de uns trocos para tabaco (na terra de toda a gente é ao contrário, mas, cá em casa, é o pai que crava a filha), uma fantástica bandeira luminosa, igual à da senhora do 79 e que agora quer que eu use, portando ao peito esse belo símbolo de patriotismo-brolho.
E pronto, cá ando eu, com aquela coisa a encandear-me as vistas sempre que olho para baixo, para não desiludir o velhote, esperando que aquilo se estrague o mais rapidamente possível (geralmente, estas coisas, por serem dos Chinas ou das senhoras que andam a vender aventais na Baixa, passado duas horas estão estragadas. Mas não, isto é "produto-Óro", por isso, se Joshua quiser e para gáudio do Homem-Águia, há-de durar e brilhar, qual farol de Matosinhos, até eu ser velhinha e poder recambiá-lo para um qualquer neto, com aquela desculpa "Sabes netinho? Isto era do teu bisavô... Nos idos de 2004...")
Joshua vos salve de tal destino, meus caros.
Sou quem sabeis, (uma mais coruscante) Maria Cachucha.

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